Ambientalização Acadêmica: a contribuição da pós-graduação para a sustentabilidade

Maria Luciana da Silva Nóbrega, Elimar Pinheiro do Nascimento

Resumo


“Ambientalização” é a internalização das temáticas socioambientais nos diversos segmentos sociais, com intuito de melhorar a relação humana com o ambiente. “Ambientalização Acadêmica”, por sua vez, é a institucionalização desse processo no âmbito universitário, por meio de mobilizações, produção sociotecnológica, preservação dos recursos naturais e convivência com o meio. O propósito deste artigo é evidenciar a prática da ambientalização nos programas de pós-graduação no Brasil nos últimos 30 anos, com a consolidação do conceito de desenvolvimento sustentável. O objetivo é demonstrar a “retroalimentação” existente entre a abordagem da sustentabilidade, sua influência na produção acadêmica e seu retorno à sociedade. Baseado no princípio da “responsabilidade compartilhada”, analisamos a presença das demandas socioambientais na pós-graduação e a contribuição da produção acadêmica para a consolidação da cultura da sustentabilidade na sociedade.


Palavras-chave


Ambientalização. Universidade. Pós-Graduação. Sustentabilidade.

Texto completo:

PDF

Referências


BARBIERO, A. Apresentação. In: NASCIMENTO, E. P.; PENA-VEGA, A. (Orgs.). As novas dimensões da universidade: interdisciplinaridade, sustentabilidade e inserção social. Rio de Janeiro: Garamond, 2012. p. 7-8.

BECK, U. World risk society. Cambridge: Polity Press, 1999.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Agenda Ambiental da Administração Pública (A3P). Brasília, DF: MMA, 2009.

BRASIL. Ministério da Educação. Resolução nº 2, de 15 de junho de 2012. Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Brasília, DF: MEC, 2012. Disponível em: . Acesso em: 20 out. 2015.

BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil Lattes. Brasília, DF: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, 2016. Disponível em: . Acesso: 4 out. 2016.

BRASIL, A. M.; SANTOS, F. Dicionário: o ser humano e o meio ambiente de A a Z. 4. ed. São Paulo: Brasil Sustentável, 2007.

BUARQUE, S. C. Construindo o desenvolvimento local sustentável. 4. ed. Rio de Janeiro: Garamond, 2008.

BURSZTYN, M. A.; BURSZTYN, M. Fundamentos de política e gestão ambiental: caminhos para a sustentabilidade. Rio de Janeiro: Garamond, 2012.

CAPRA, F. A teia da vida. São Paulo: Cultrix, 2001.

CARSON, R. Silent spring. Boston: Houghton Mifflin, 1962.

COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Nosso futuro comum. Rio de Janeiro: FGV: CMMDA, 1991.

COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR. Documento de Área CACiAmb 2012. Brasília, DF: CAPES, 2012. Disponível em: http://ppgagro.posgrad.ufsc.br/files/2012/05/Documento-Area-CACiAmb-29Agosto2012-1.pdf. Acesso em: 26 out. 2016.

______. Documento de Área 2013. Brasília, DF: CAPES, 2013. Disponível em: . Acesso em: 24 out. 2016.

______. Dados quantitativos de programas recomendados e reconhecidos. Brasília, DF: CAPES, 2016. Disponível em: . Acesso em: 20 out. 2016.

CUNHA, L. A. C. R. A Pós-Graduação no Brasil: função técnica e função social. Revista de Administração de Empresas, Rio de Janeiro, v. 14, n. 5, p. 66-70, set./out. 1974.

DESCARTES, R. Discurso sobre o método. São Paulo: Hemus, 1978.

EHRLICH, P. R. The population bomb. New York: Random House, 1968.

FREITAS, D.; OLIVEIRA, H. T. Uma reflexão sobre o valor do trabalho desenvolvido pela Rede ACES no período de sua implementação. In: GELI, A. M.; JUNYENT M.; SÁNCHEZ, S. (Orgs.). Ambientalización curricular de los estudios superiores: acciones de intervención y labance final del proyecto de ambientalización curricular de los estudios superiores. Girona: Universitat de Girona, 2004. v. 4, p. 305-319.

GELI, A. M. Universidad, sostenibilidad e ambientalización curricular. In: GELI, A. M.; ARBAT, E. (Orgs.). Ambientalización curricular de los estúdios superiores: aspectos ambientales de las universidades. Girona: Universitat de Girona, 2002. p. 15-18.

GEORGESCU-ROEGEN, N. O decrescimento: entropia, ecologia, economia. São Paulo: Senac, 2012.

GONZÁLEZ-MUÑOZ, M. D. C. Principales tendencias y modelos de la Educación Ambiental en el sistema escolar. Revista Iberoamericana de Educación, Madrid, n. 11, 2008. p. 13-74.

GUATTARI, F. As três ecologias. 20. ed. Campinas: Papirus, 2009.

HARDIN, G. The Tragedy of the Commons. Science Magazine, Washington, DC, v. 162, n. 3859, 1968. p. 1243-1248.

HOBSBAWM, E. Era dos extremos: o breve século XXI. São Paulo: Cia das Letras, 1995.

ILLICH, I. A convivencialidade. Lisboa: Publicações Europa-América, 1973.

INSTITUTO NACIONAL DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL. Patentes verdes. Brasília, DF: INPI, 2014. Disponível em: . Acesso em: 10 maio 2017.

LATOUCHE, S. Pequeno tratado do decrescimento sereno. São Paulo: WMF, 2009.

LEFF, E. Epistemologia ambiental. São Paulo: Cortez, 2002.

LOPES, J. S. L. Sobre processos de Ambientalização dos conflitos e sobre dilemas da participação. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 12, n. 25, 2006. p. 31-64.

MALHEIROS, T. F. et al. Os desafios do tema sustentabilidade no ensino da Pós-Graduação. RBPG, Brasília, DF: v. 10, n. 21, out. 2013. p. 537-552.

MALTHUS, T. An essay on the principle of population. London: St. Paul’s Church, 1798.

MEADOWS, D. H. et al. Limites do crescimento. São Paulo: Perspectiva, 1973.

MORIN, E. Educação e complexidade: os sete saberes e outros ensaios. São Paulo: Cortez, 2005.

MOURA, L. G. V. Indicadores para a avaliação da sustentabilidade em sistemas de produção da agricultura familiar. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Rural) – Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2002.

NASCIMENTO, E. P.; AMAZONAS, M.; VILHENA, A. Sustentabilidade e interdisciplinaridade: inovações e desafios dos Programas de Pós-Graduação em Ambiente e Sociedade – o caso do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília. RBPG, Brasília, DF, v. 10, n. 21, out. 2013. p. 665-695.

NÓBREGA, M. L. S. Ambientalização Acadêmica: Um estudo comparativo das práticas sustentáveis em Segurança Hídrica entre universidades brasileiras (UFLA e UFCG) e norte-americanas (ASU e UCLA). Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável) – Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 2017.

OLIVEIRA JUNIOR, W. M. et al. As 10 características em um diagrama circular. In: JUNYENT, M.; GELI, A. M.; ARBAT, E. (Eds.). Ambientalización Curricular de los Estudios Superiores: aspectos Ambientales de les universidades. 2. ed. Girona: Universitat de Girona, v. 2, , 2003. p. 35-55.

PEREIRA, E. Q.; NASCIMENTO, E. P. A interdisciplinaridade nas universidades brasileiras. Redes, Santa Cruz do Sul, v. 21, n. 1, jan./abr. 2016. p. 209-232.

PHILIPPI JR, A.; SOBRAL, M. C. M. Contribuição da Pós-Graduação brasileira para o desenvolvimento sustentável: CAPES na Rio+20. Brasília, DF: Capes, 2012.

PHILIPPI JR, A. et al. Interdisciplinaridade em ciências ambientais. São Paulo: Signus, 2000.

RESENDE, A. L. Os limites do possível. São Paulo: Portfolio-Penguin, 2013.

RIBEIRO, W. C. (Org.). Práticas socioambientais na Pós-Graduação Brasileira. São Paulo: Annablume, 2010.

SACHS, I. Estratégias de transição para o século XXI: desenvolvimento e meio ambiente. São Paulo: Nobel, 1994.

______. Caminhos para o desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2002.

SÁENZ, O. Panorama de la sostenibilidad en las Universidades en América Latina y El Caribe. In: RUSCHEINSKY, A. et. al. (Orgs.). Ambientalização nas instituições de educação superior no Brasil: caminhos trilhados, desafios e possibilidades. São Carlos: USP, 2014. p. 23-38.

SINDICATO DAS ENTIDADES MANTENEDORAS DE ESTABELECIMENTOS DE ENSINO SUPERIOR NO ESTADO DE SÃO PAULO. Mapa do ensino superior no Brasil 2012/2013. São Paulo: SEMESP, 2015. p. 6-15.

SORRENTINO, M.; BIASOLI, S. Ambientalização das instituições de educação superior: a Educação Ambiental contribuindo para a construção de sociedades sustentáveis. In: RUSCHEINSKY, A. et al. (Orgs.). Ambientalização nas instituições de educação superior no Brasil. São Carlos: USP, 2014. p. 39-46.

TRAJBER, R.; SATO, M. Escolas sustentáveis: incubadoras de transformações nas comunidades. Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, Porto Alegre, p. 70-78, 2010. Volume especial.

INDONESIA. Overall Ranking 2015. Depok: Universitas Indonesia, 2015. Disponível em: . Acesso em: 24 out. 2016.

VEIGA, J. E. A desgovernança mundial da sustentabilidade. São Paulo: Editora 34, 2013.

WACKERNAGEL, M.; REES, W. Our Ecological Footprint: Reducing Human Impact on the Earth. Gabriola Island: New Society Publishers, 1996.




DOI: http://dx.doi.org/10.21713/2358-2332.2017.v14.1257